VÍDEO: jovens colocam fogo em corredor de unidade de internação no DF
27/03/2025
(Foto: Reprodução) Segundo mães dos internos, confusão foi motivada por falta de comida. Vara de Execução de Medidas Socioeducativas diz que não há registros de reclamações sobre alimentos na unidade. Jovens colocam fogo em corredor de unidade de internação no DF
Três jovens da Unidade de Internação de Santa Maria, no Distrito Federal, colocaram fogo em um corredor usando espuma de colchões, no dia 20 de março. A informação foi divulgada apenas nesta quinta (27). Segundo as mães dos internos, a confusão foi motivada por falta de comida e porque os jovens teriam sido agredidos pelos agentes (veja detalhes abaixo).
"Meu filho tinha relatado para mim que eles estavam com fome, sem alimentação, o dia todo", disse uma das mães, que preferiu não se identificar, à TV Globo.
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Um vídeo gravado na unidade mostra o início do fogo (veja vídeo acima). Havia muita fumaça, e é possível ouvir barulhos vindos das celas. Um dos agentes gritou: "Vão descer pra Papuda!"
A Vara de Execução de Medidas Socioeducativas informou que não há registros de reclamações sobre a quantidade de alimentos ou mesmo sobre o não fornecimento na unidade.
Os jovens foram levados para a delegacia e presos em flagrante. Em nota, a Secretaria de Justiça (Sejus) informou que os responsáveis por eles foram avisados do ocorrido, tanto pela delegacia quanto pela equipe da unidade de internação.
Na audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva. Os jovens de 18, 19 e 20 anos podem responder pelos crimes de ameaça, dano ao patrimônio publico, resistência e desacato.
Segundo a Sejus, como os internos não tinham concluído a medida socioeducativa, eles estão presos provisoriamente no CDP/Papuda, aguardando julgamento na justiça comum, já como maiores, pelos novos crimes.
"Em sendo liberados da preventiva por alguma razão, poderão retornar à internação para que concluam a medida. Em sendo condenados, a medida socioeducativa pode ser extinta. Tudo depende de decisão judicial ulterior. Por ora, eles estão presos preventivamente aguardando julgamento", diz a Sejus.
O Sindicato dos Agentes Socioeducativos disse que, apesar do déficit de servidores que impacta o sistema socioeducativo, a equipe de plantão no dia da confusão tinha uma quantidade de agentes considerada adequada.
Agressões
Jovens colocam fogo em unidade de internação no DF
Reprodução
Os adolescentes contaram que foram agredidos. Por isso, foram encaminhados ao IML para fazer exame de corpo de delito. Segundo o laudo, as lesões são compatíveis com o relatado pelos jovens.
Entretanto, o exame aponta que as lesões também poderiam decorrer de outras formas de ação contundente, "cuja dinâmica não seria passível de ser estabelecida por um laudo de lesões corporais e dependeria de outros elementos de prova".
A respeito da possibilidade de ocorrência de tortura, o laudo diz que não há elemento pericial que permita confirmar ou afastar a sua ocorrência.
O que diz a a Vara de Execução de Medidas Socioeducativas do Distrito Federal (VEMSE-DF)
Por meio de nota, a Vara de Execuções de Medidas Socioeducativas disse que, "conforme prevê a legislação, os jovens maiores de 18 anos ao cometerem crimes dentro das unidades socioeducativas são encaminhados à Delegacia de Polícia e, em seguida, submetidos à audiência de custódia para análise da conversão do flagrante em prisão preventiva ou liberdade provisória".
A Vara informou ainda que "os jovens envolvidos foram apresentados à autoridade policial e tiveram suas situações analisadas pelo Juízo Criminal competente. Em caso de conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, ocorre a transferência dos jovens ao sistema prisional comum. Caso haja a concessão de liberdade provisória, o jovem deve ser apresentado à VEMSE-DF para continuidade do cumprimento da medida socioeducativa de internação".
A VENSE-DF informou ainda que tem recebido somente relatos recorrentes sobre a qualidade da alimentação servida aos internos, "não havendo reclamações acerca da quantidade e/ou ausência de fornecimento de alimentos".
Sobre a transferência para a Papuda, a Vara disse que a decisão foi por conta "da prática de crime e da análise do caso pela autoridade judicial competente".
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